Um Corpo Estranho EP | 2012

by Um Corpo Estranho

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about

Um Corpo Estranho EP:

1. Auto Coação
2. Amor em Contramão
3. No Fim Tudo Está Bem
4. Concubina
5. Bicho Escondido

credits

released May 25, 2012

Corpos Estranhos:
Pedro Franco - Guitarra, Banjo, Serrote Musical, Percussões, Ukelele, Voz
João Mota - Voz, Guitarra, Ukelele

Corpos Adicionais:
Sérgio Mendes: Guitarra, Lapsteel (Auto Coação, Bicho Escondido)
Victor Coimbra: Baixo, Contrabaixo
Rui David: Bateria (Amor em Contramão, Concubina)

Letras e Músicas: Pedro Franco, João Mota
Gravado em Cabeção - Alentejo; RD Estúdios – Setúbal
Captação, Mistura e Produção: Rui David
Grafismo: Ana Polido

Agradecimentos: Rui David , António Aleixo e Low Cost Films, João Bordeira, Teatro Fonte Nova (Setúbal), Pedro Soares e Experimentáculo, Sérgio Mendes, Victor Coimbra, Gonçalo Santos, Ricardo Ventura, Inês Sobral, Nádia Abreu, Shahryar Mazgani, Pedro Miguel Silva, Paulo Cavaco, João Ribeiro.

2012 © Experimentáculo Records

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about

Um Corpo Estranho Portugal

João Mota e Pedro Franco surgem como contadores de anti-estórias e são eles as duas metades deste agente sonoro que, em pleno processo simbiótico, se propõe alojar nos nossos ouvidos com a intenção assumida de nos legar alguns fantasmas que acreditam ser comuns a todos. ... more

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Track Name: Auto Coação
Auto Coação
(Letra e Música: João Mota e Pedro Franco)

A lutar por defeito, a caminhar às cegas,
De punhos fechados a combater fantasmas.
De dentes cerrados amordaçava a mente
E olhava o abismo a calcular a queda.

Eu tinha o peito feito num erro perfeito.
Eu tinha o peito feito à treva.

Vi que no tempo em que estive em paz com a solidão,
Estive enganado sob minha auto-coação.

A noite afogada no canto de um balcão,
Onde eu destilava o meu coração.
Invocava infinitos a bem de me esquecer
A remota morada onde te quis perder.

Eu dormia no fundo do ventre do mundo.
Dormia no fundo de um sono profundo.
E rugia do fundo da boca do mundo,
Rugia no fundo,
A tua voz a combater para não morrer.
Track Name: Amor em Contramão
Amor em contramão
(Letra e Música: João Mota e Pedro Franco)

Dizes que a vida te foge, que tens medo
Que um dia de arrependas de voltar atrás.
Eu finjo dar importância ao teu lamento
E uso falsos argumentos p’ra que não te vás.

Toda a gente te avisou de que eu não presto,
Que me viram por aí com outras mulheres,
Que eu tenho má bebida, que não sou honesto,
Mas quanto mais eu saio da linha mais tu me queres.

Andamos já há tanto tempo em contramão,
No engano de contrariar a solidão,
Mas ninguém pode ser feliz, como se diz, numa prisão.

Ambos entrámos neste jogo p’ra perder,
Nunca existiram trunfos nem batota.
Mas não viemos dar à praia p’ra morrer
E quem sempre correu por gosto não se esgota.

E se um dia todas as portas se fecharem,
Havemos de encontrar uma janela,
P’ra nos rirmos do mundo através dela.
Track Name: No Fim Tudo Está Bem
No Fim Tudo Está Bem
(Letra e Música: João Mota e Pedro Franco)

Eu não sei quem foi que sonhou com um tempo melhor,
Que lutou por ter uma voz que há muito se calou.
Fui tolo em pensar que existia um desejo em mudar,
Que ainda haviam pernas para andar num mundo de pernas para o ar.

E no fim tudo está bem, assim se possa contar,
Que ao menos sirva a alguém quando tudo acabar.

No ventre de Deus já não há lugar para os seus,
Já não há divino nem pagão a colorir os céus.
Resta-nos sorrir ao inferno que está para vir,
Se o diabo teima em resistir aqui, seja assim.

E no fim tudo está bem, assim se possa contar,
Que ao menos sirva a alguém quando tudo acabar.
E no fim tudo está bem, assim se possa contar,
Haja quem possa contar.
Track Name: Concubina
Concubina
(Letra e Música: João Mota e Pedro Franco)

Concubina, flor de abismo,
Masoquismo que me domina.
Serpenteia o meu corpo em chama,
Tudo inflama e agora eu sou um joguete a arder nas tuas mãos.

Noite em branco na tua cama,
Hoje um drama uma chaga aberta.
Má memória de uma vertigem
Na origem do que foi uma ilusão.

Concubina, flor de abismo
Masoquismo que me domina.
Hábil serpente, insurgente.
És o meu vício, o meu acidente
A minha sede é urgente.

Obsceno coração cavo,
Dei um travo no teu veneno.
Fiquei prisioneiro dessa droga
Que me afoga a lucidez no vazio.

Sou um cão na tua saia,
Lacaio do teu capricho.
Sou um bicho, um ser doente
Dependente, à espera da extrema unção.

Coração Obsceno
Eu dei um travo no teu veneno.
Track Name: Bicho Escondido
Bicho Escondido
(Letra e Música: João Mota e Pedro Franco)

Bicho escondido sobre a pedra
Sai que no céu já espreita a lua
Vem que o milhafre dorme
Até que a manhã retorne.

Bicho encoberto na erva,
Deixa que o sangue te ferva.
Acorda os teus iguais
Lembra que somos mais.

A noite cai no teu jardim,
Se ouvires alguém cantar
Não deixes de escutar,
Que o tempo vai passar por ti
Sem pedir permissão,
Em falsa lentidão.